O outro lado…
Tendo vivido esta pequena aventura na 2ª pessoa, tenho-vos a dizer que se há coisas que me chateiam, são as falhas de comunicação (no verdadeiro sentido das palavras). Então se essas falhas de comunicação são derivadas da falta de lógica, de reflexão ou, como neste caso, de falta de senso comum, leva-me o espírito aos arames.
Imaginem uma pessoa a entrar na urgência de um Hospital central de uma cidade razoável, meia perdida porque fizeram umas obritas desde a última vez que esteve lá sentado, e como tal dirige-se ao Guichet das informações na tentativa de saber alguma coisa sobre a pessoa que tinha entrado há algum tempo num estado aparatoso,… parecido com o das séries televisivas de hospitais em que todo o tipo de doença e acidente acontece às pessoas apenas num dia.
Depois de lutar para conseguir distinguir quem estava na fila para a admissão e informação de doentes e quem apenas aguardava, na esperança sádica de tentar ver se algum acidentado deixava cair um qualquer membro fora das macas para ser o primeiro a apanhar, lá consegui chegar junto da menina do guichet com um vidro daqueles que não mudam de estética desde que me lembro (e eu tenho milhares de anos), que têm um recorte redondo com uma circunferência em vidro, igualmente redonda, afastada cerca de 10cm’s.
Entretanto chega um casal com uma filha que apesar da boa aparência, fazia um barulho equivalente ao da feira de Custóias em hora de ponta ao Sábado. Tudo isto somado ao burburinho das pessoas sádicas que apesar de estarem numa zona em que é proibido buzinar, fazem mais barulho que um Intercidades a passar num apeadeiro.
Eu: – Vinha pedir para acompanhar uma pessoa que entrou para a urgência há algum tempo.
POL (Pessoa do Outro Lado): – Hmmm…Hmmm…H….Hmmm.
Eu: – Desculpe, não consegui ouvir.
POL (tentando falar mais alto): – Hmmm…Hmmm… nome.. hmmm
Eu: – O meu?
POL (abanando a cabeça negativamente): – Hmmmmmm, hmm hmm hmm.
Lá dou eu o nome da acidentada.
POL (apontando para a sala de espera): – hmmm hhmmm um bocado hmmmm chamado hmmm hmmm.
Eu (quase introduzindo a orelha no espaço entre os vidros): – Podia repetir.
POL (revirando os olhos como se fosse alguém possuído): Vai aguardar na sala um bocado até ser chamado pelo serviço informativo.
Eu: Ah, Ok, obrigado.
Conclusão: Ex.mos Senhores Construtores e Gestores de pessoas do outro lado, não seria mal visto se, em vez de colocar um microfone do lado do ruído e um altifalante no interior do guichet onde está tudo calmo (como acontecia neste local), se pensassem um bocado e fizesse precisamente o contrário, de modo a que as pessoas que estão do lado do ruído conseguissem perceber quem está do outro lado, talvez melhorasse as condições de comunicação. Ou então percam a cabeça e comprem um intercomunicador para que não haja queixas dos trabalhadores quanto às condições do trabalho. Ou ainda, caso queiram ser extravagantes e diminuir o desemprego, podem até instalar um vidro à prova de som sem aberturas e colocar um especialista em linguagem gestual de cada lado para ir transmitindo o que cada um quer.
Apesar do exemplo ser passado no Hospital de S. João, posso garantir-vos que se passa em muitos outros locais onde existem pessoas dentro de aquários.
Cumprimentos
Tags: comunicação, guichet
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7 Novembro 2008 at 8:48 pm
Ò more!
Eu tão malzinha das costas e tu a sofrer esses horrores…